domingo, 29 de janeiro de 2017

Operadores portugueses lançam Guiné e Bijagós como destino de férias em 2017


VIDA SELVAGEM. Assistir à desova das tartarugas na ilha de Poilão é uma das experiências que os turistas podem ter nos Bijagós
D.R.

Os pacotes para a Guiné-Bissau serão lançados até à BTL, feira do turismo de Lisboa, como resultado da primeira viagem de reconhecimento do destino que envolveu a maioria dos produtores de viagens

, literalmente, uma descoberta para os operadores turísticos portugueses. A primeira 'fam trip' à Guiné-Bissau de 'construtores' de programas de viagens promovida pela Euroatlantic de 6 a 11 de janeiro — onde participaram a Abreu, Solférias, Soltrópico, Sonhando, Clube Viajar, You e Across, que representam 80% da operação turística nacional — irá resultar na criação de pacotes de férias, de uma semana a 10 dias, a lançar já na próxima BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa), a feira que decorre na FIL de 15 a 19 de março e que é a principal montra do turismo português.
Para os operadores turísticos, a 'pérola' deste destino novo são os Bijagós, arquipélago com 88 ilhas ao largo da Guiné-Bissau e que é um santuário natural (tem os únicos hipopótamos marinhos do planeta, entre uma grande diversidade de vida animal, como tartarugas ou chimpanzés).
"O nosso objetivo é fazer um turismo de qualidade e controlado tendo em conta o ecossistema que existe em Bijagós, cujo potencial é muito aprazível para o turismo que o mundo hoje procura", salientou Fernando Vaz, ministro do turismo da Guiné-Bissau ao receber os operadores turísticos, a quem fez o apelo de criar um produto de férias "para que os portugueses também venham à Guiné onde vão sentir-se em casa, e não só ao Algarve".
O ministro guineense frisou ainda que "o nosso turismo ainda é incipiente, recebemos 30 mil turistas por ano, e queremos aprender com Portugal. Se Cabo Verde conseguiu tornar-se um destino reconhecido nós também vamos conseguir".
MAR DE ILHAS. O arquipélago de Bijagós, ao largo da Guiné, integra 88 ilhas em estado natural, o que é considerado um paraíso para eco-turismo
MAR DE ILHAS. O arquipélago de Bijagós, ao largo da Guiné, integra 88 ilhas em estado natural, o que é considerado um paraíso para eco-turismo
D.R.
Para a Abreu Viagens, a Guiné tem todas as condições para "funcionar como um destino novo" de lazer, quando até à data era "desconhecido" dos turistas portugueses, conforme destaca Leonor Ramos, gestora do produto África do operador turístico, que participou nesta viagem de reconhecimento à Guiné-Bissau.
Tirando partido dos atuais quatro voos diretos por semana que ligam Portugal à Guiné (dois da TAP e dois da Euroatlantic), a perspetiva da Abreu é lançar a curto prazo programas de viagens de 5 a 7 dias, "focados no arquipélago de Bijagós mas sem deixar Bissau de fora, pois os portugueses têm uma ligação grande à cidade", adianta Leonor Ramos. Na sua perspetiva, o perfil do cliente-alvo para o destino Guiné é sobretudo o "passageiro que já bateu outros destinos ao nível de África, como São Tomé". Mas a gestora de programas da Abreu frisa que neste destino "está tudo ainda muito verde e tem de haver promoção do país, o que não passa só pelos operadores turísticos, é essencial que o Governo guineense assuma aqui o seu papel".
NA ROTA DO HIPOPÓTAMO. Os Bijagós têm a única colónia de hipopótamos marinhos no mundo, havendo programas especiais para os avistar
NA ROTA DO HIPOPÓTAMO. Os Bijagós têm a única colónia de hipopótamos marinhos no mundo, havendo programas especiais para os avistar
D.R.
O mesmo objetivo é partilhado pela Solférias. "Faz todo o sentido incluir a Guiné-Bissau na nossa programação pois África é uma das principais apostas da Solférias", salienta Cláudia Martins, gestora de produto deste operador turístico. "Estamos a trabalhar já na programação de verão, válida de maio a final de outubro, e nesta altura do campeonato o que vamos fazer é lançar de imediato uma brochura com um combinado entre Bissau e Bijagós para pôr à venda já em fevereiro, e seguramente antes da BTL."
Do que viu na viagem de reconhecimento à Guiné-Bissau, a operadora da Solférias adianta que o objetivo é "lançar programas de uma semana, incluindo cinco noites em Bijagós e uma em Bissau" e também "conseguir pacotes a preços abaixo dos 2 mil euros", dependendo das tarifas a negociar com as companhias aéreas.
"Vai ser um complemento muito interessante para a nossa programação", prevê Cláudia Martins, sustentando que a Guiné pode funcionar como destino "que complementa a nossa oferta 'charter' para Cabo Verde, embora dirigindo-se a um mercado diferente, que não é do 'tudo incluído', mas sobretudo clientes que procuram outro tipo de experiências. Cada vez há mais pessoas a necessitar do contacto com a natureza, do desligar dos telemóveis, e destinos como este são cada vez mais procurados".
ECOSSISTEMA. O Turismo da Guiné-Bissau diz-se empenhado em "desenvolver um destino controlado e não massificado nos Bijagós"
ECOSSISTEMA. O Turismo da Guiné-Bissau diz-se empenhado em "desenvolver um destino controlado e não massificado nos Bijagós"
D.R.
Segundo a gestora da Solférias, "acreditamos que não será um destino de grande volume, mas nesta fase não queremos deixar de ajudar a Guiné-Bissau com tudo o que estiver ao nosso alcance". Salienta que "estão reunidas as condições" para se lançar este destino novo em Portugal, mas sublinha que há ainda "um longo caminho para a Guiné fazer, com todas as notícias negativas que têm saído sobre o país".

"UM PARAÍSO DESCONHECIDO PARA A MAIORIA DOS PORTUGUESES"

Lara Reis, gestora de produto da Soltrópico, também considera que o destino "tem muito potencial e o produto pode ter muita saída em Portugal, mas é preciso mudar a visão que os portugueses têm da Guiné-Bissau". Sustenta que este "pode vir a ser um produto Soltrópico", mas ressalva que terá de ser ainda sujeito à análise do operador turístico relativamente à programação para 2017. Na sua opinião, "de início, e para não correr muito risco, podíamos começar com um pacote mais pequeno, de cinco noites, com Bissau e Bijagós, um paraíso ainda desconhecido para a maioria dos portugueses e que poderá ser um próximo destino a estar em voga".
Segundo a criadora de pacotes de férias da Soltrópico, "mais tarde poderíamos fazer uma identificação de pontos interessantes no país com vista a programas associados a turismo de saudade e às memórias coloniais, pois há uma grande comunidade de portugueses que estiveram na Guiné-Bissau e podem ter interesse em voltar ao país e matar saudades". Frisando que "o que procuramos na Guiné não é um turismo de massas", Lara Reis refere que no início desta operação "os preços terão de ser bastante interessantes, em comparação com outros destinos como São Tomé ou Senegal".
No caso do operador turístico You, a previsão também passa por lançar programas a curto prazo. "Nós já tínhamos pensado fazer alguma coisa na Guiné-Bissau", salienta Elisabete Augusto, diretora de operações da You, para quem a recente visita de reconhecimento ao destino tornou "o produto mais fácil de trabalhar".
TURISMO DE SAUDADE As memórias coloniais são visíveis na antiga messe dos oficiais em Bissau, que deu lugar ao Hotel Azalai
TURISMO DE SAUDADE As memórias coloniais são visíveis na antiga messe dos oficiais em Bissau, que deu lugar ao Hotel Azalai
Para lançar o destino Guiné, o objetivo da You passa por "publicar circuitos de uma semana a 10 dias, com quatro a cinco noites para ir à praia, e vamos de certeza incluir Bijagós", refere Elisabete Augusto, adiantando que os programas terão um alcance mais vasto. "A nossa ideia é também montar um 'tour' pelo interior da Guiné, passando por cidades como Bafatá ou Gabu, além de Bissau, a pensar nos antigos militares que querem visitar os lugares onde estiveram durante a guerra colonial". Como frisa a diretora de operações da You, "vamos trabalhar para que as pessoas em Portugal possam vir conhecer a Guiné".
Tendo já algum tráfego para a Guiné, organizando viagens associadas a ações humanitárias, também o Clube Viajar, cujo operador é o Viajar Tours, tem a perspetiva de começar a lançar pacotes com Bissau e Bijagós. “O arquipélago dos Bijagós é um paraíso natural e apenas a quatro horas de distância de Portugal”, faz notar Manuela Varanda, agente de viagens do Clube Viajar, frisando que, face ao potencial da Guiné ao nível de programas de lazer, o destino merece começar a ser explorado. “E esta viagem de reconhecimento demonstrou tratar-se de um destino tranquilo, genuíno e com um povo muito gentil, além de ter boa comida.”

LANÇAR UM MANUAL DE VENDA PARA OS AGENTES DE VIAGENS

Para o operador Sonhando, a 'fam trip' à Guiné-Bissau foi “um sucesso”, e também "um verdadeiro derrubar de preconceitos, pois apesar da instabilidade política do país encontrámos um ambiente pacífico e seguro", salienta Mariana Correia, gestora de reservas da Sonhando. Destaca ainda as "paisagens deslumbrantes como o arquipélago dos Bijagós, hotelaria diversificada e de qualidade, receptivos locais com produtos bem trabalhados e prontos a receber o turista português".
ENERGIA AFRICANA. Os operadores também querem destacar a vertente cultural nos programas de viagens à Guiné
ENERGIA AFRICANA. Os operadores também querem destacar a vertente cultural nos programas de viagens à Guiné
D.R.
Segundo Mariana Correia, "a Sonhando tudo fará para divulgar e colocar a Guiné-Bissau como um dos destinos de eleição dos portugueses", através da criação de pacotes de 5 a 7 noites, que serão lançados ainda antes da BTL. "Vamos apostar em programas de lazer, e também de turismo de saudade associados ao regresso de ex-combatentes, além caça/pesca ou negócios", adianta.
A operadora da Sonhando adianta que "a nossa intenção é fazer um manual de vendas para os agentes de viagens em Portugal, pois sabemos que apesar de uma língua que nos une, existe um profundo desconhecimento da Guiné Bissau enquanto destino turístico com enorme potencial".
Apesar de ser mais especializada em safaris, e tendo o foco em África, também a Across prevê começar a incluir a Guiné na sua programação já em 2017.
"Esta viagem deu-nos a mostrar a verdadeira imagem da Guiné", sustenta Reno Maurício, diretor-geral da Across, frisando que o seu interesse está em "destinos com uma relação forte com Portugal, locais que não tenham só animais mas também história, algo com que o cliente português se possa relacionar".
Segundo o diretor-geral da Across, "vamos já lançar três programas para a Guiné-Bissau, com vertente cultural, de vida selvagem e de praias", e a curto prazo sairão as respetivas brochuras para venda nas agências de viagens. "Vamos aproveitar os voos da Euroatlantic para vender uma série de experiências", que irão resultar em combinados de Bissau com Bijagós e com locais para safaris, além de "programas à medida na área de turismo de saudade, em que queremos levar pequenos grupos de umas 18 pessoas, pois este é um mercado forte na Guiné".
A nível de preços, Reno Maurício avisa que "não vamos ser os mais baratos do mercado, pois a nossa guerra não é a dos preços". Na Across o preço dos programas para este destino vai depender de uma série de opções disponíveis. "Na Guiné estamos a falar de um produto que pode ir de pouco mais de mil euros até três mil euros", avança.
LUXO NOS BIJAGÓS A francesa Solange Morin, proprietária do Ponta Anchaca na ilha de Rubane, assegura o transporte dos turistas ao seu hotel em avião privado
LUXO NOS BIJAGÓS A francesa Solange Morin, proprietária do Ponta Anchaca na ilha de Rubane, assegura o transporte dos turistas ao seu hotel em avião privado
"Eu acho que vai haver uma grande dose de boa vontade dos operadores que aqui vieram no sentido de promover a Guiné-Bissau", sustenta o diretor-geral da Across.

A "NECESSIDADE DE RESPIRAR NATUREZA"

Para alojar os turistas nos Bijagós, a mira dos operadores está sobretudo no Ponta Anchaca, hotel da francesa Solange Morin na ilha de Rubane onde os quartos são 'tabankas' de madeira à beira do mar e entre palmeiras, exalando um ambiente de luxo natural.
"Quando aqui cheguei isto era selva virgem, não havia nada, nada, tive de fazer tudo do zero", diz Solange Morin, assumindo o seu "grão de loucura" ao ter vendido os seus hotéis no Senegal para criar uma unidade nos Bijagós. "Tinha necessidade de respirar natureza, não há outra sensação de paz e liberdade como há aqui", confessa.
É a mesma sensação que Solange Morin quer transmitir aos clientes do hotel. "Quando as pessoas querem ver as tartarugas ou os hipopótamos, nós podemos fazer isso", garante. O Ponta Anchaca conta com várias lanchas para passeios e também um avião privado em permanência para assegurar o transporte dos hóspedes de Bissau. "É um destino que ainda não é conhecido. As pessoas perguntam: onde ficam os Bijagós?", refere Solange Morin, que tem recebido sobretudo hóspedes franceses, belgas, ingleses ou italianos, "e espero que cada vez mais portugueses".
Além do Ponta Anchaca, são sobretudo os hotéis virados para a pesca, e também de proprietários franceses, que predominam nos Bijagós.
ACAMPAR NA PRAIA O Dakosta Island Beach Camp do guineense Adelino da Costa põe a tónica na cultura bijagó
ACAMPAR NA PRAIA O Dakosta Island Beach Camp do guineense Adelino da Costa põe a tónica na cultura bijagó
O destaque também vai para o Dakosta Island Beach Camp, do guineense Adelino da Costa, junto à praia de Bruce em Bubaque, onde parece que o tempo parou.
Além dos quartos em vivendas, o Dakosta Island tem também um espaço de tendas marcado por instalações artísticas associadas à cultura bijagó.
"Estamos num espaço protegido pela UNESCO, isto é um museu ao ar livre, é a pura natureza que está a faltar no mundo", faz notar Adelino da Costa, que trocou a vida nos Estados Unidos (onde é um lutador medalhado e tem uma rede de ginásios em Nova Iorque, com a marca 'Pump') para estar mais próximo do investimento turístico que quer reforçar na sua terra.
"A língua portuguesa está-se a perder aqui", considera Adelino da Costa, lembrando que o investimento turístico nos Bijagós está a ser feito sobretudo por franceses, e "há zero de portugueses". Como guineense, propõe-se aqui diferenciar pelo toque da cultura. "O atraso da Guiné pode tornar-se na sua principal vantagem, pois os Bijagós ainda estão em estado natural, nada foi estragado", salienta. "É um local para desligar o telemóvel e desligar de tudo. E isto para os turistas é o mesmo que lhes dar ouro."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

União Europeia preocupada com alegado plano para deter líder do Parlamento da Guiné-Bissau

O representante da União Europeia na Guiné-Bissau, o português Vítor Madeira dos Santos manifestou-se hoje preocupado com as informações sobre um alegado plano para prender e destituir o líder do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá.

Vítor Madeira dos Santos assinalou que a comunidade internacional "estará atenta" por estar preocupada com a "contínua onda de rumores" que, afirmou, impedem a Guiné-Bissau de terminar o ano com serenidade e confiança no futuro.
O alegado plano foi denunciado na terça-feira em Bissau por Nuno Nabian, candidato derrotado na segunda volta das últimas eleições presidenciais guineenses e atual líder da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB).
Segundo Nabian, o plano estaria a ser orquestrado pelo Governo e passaria pela detenção de Cassamá que seria destituído para dar lugar a uma nova liderança no Parlamento para desta forma facilitar a aprovação do programa de ação do executivo do primeiro-ministro Umaro Sissico Embaló.
Quatro dos cinco partidos no Parlamento não reconhecem o atual Governo e prometem não aprovar o seu programa no hemiciclo bem como o Orçamento Geral do Estado, situação que poderia levar o chefe do Estado guineense, José Mário Vaz, a demitir a equipa de Sissoco Embaló.
A Constituição guineense dá até 60 dias ao primeiro-ministro para que faça aprovar o seu programa de ação e o Orçamento Geral no Parlamento caso contrário o Governo é demitido pelo chefe do Estado.
Para dar conhecimento sobre a alegada ameaça de que é alvo, o presidente do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá reuniu-se hoje com os representantes da comunidade internacional e com a Liga dos Direitos Humanos.
Em nome da comunidade internacional, o representante da União Europeia disse terem sido informados por Cassamá sobre a denúncia feita por Nuno Nabian da qual tomaram nota e prometem acompanhar o evoluir da situação.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto da Silva, disse que a sua organização vai continuar a monitorar a situação e espera que a denúncia, por ser pública, deve merecer a investigação por parte do Ministério Público.
Um porta-voz do presidente do Parlamento guineense, Inácio Tavares, responsabilizou, na quarta-feira, o chefe do Estado, José Mário Vaz, de ser o autor do suposto plano de detenção e destituição de Cipriano Cassamá.
MB // JMR
Lusa

sábado, 10 de dezembro de 2016

Presidente do Parlamento guineense pede à comunidade para resolver crise

O presidente do Parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, reuniu-se hoje com os representantes da comunidade internacional para lhes pedir que ajudem a resolver a crise política no país.

Casamá pediu aos diplomatas que intervenham junto dos atores políticos guineenses para lhes solicitar "contenção e resfriamento" de posições.

O presidente do parlamento diz que está a procurar a melhor forma de acabar com a crise política que assola o país há mais de 15 meses e hoje reuniu-se hoje com os elementos do chamado 'P5', espaço de concertação que junta ONU, União Europeia, União Africana, CEDEAO e CPLP.
"O presidente do Parlamento pediu contenção e resfriamento de posições entre as partes para facilitar a tarefa da CEDEAO", na mediação da crise política guineense, disse Óscar Barbosa, conselheiro político do líder do hemiciclo da Guiné-Bissau.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) mandatou o Presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, para que medie a crise política na Guiné-Bissau e este prometeu anunciar, no próximo dia 17, os resultados das consultas que conduziu na capital do seu país, em outubro.
Cipriano Cassamá quer que as partes envolvidas na crise política guineense não tomem nenhuma posição até dia 17, altura em que Condé irá pronunciar-se sobre a figura de consenso que teria sido escolhida para primeiro-ministro da Guiné-Bissau.
Para clarificar o que teria ficado decidido no chamado Acordo de Conacri, Cassamá deslocou-se até a Guiné-Conacri na semana passada e hoje transmitiu aos elementos da comunidade internacional o que falou com Alpha Condé.
O líder do parlamento guineense pediu também aos representantes da comunidade internacional que aguardem pela cimeira de chefes de Estado da CEDEAO, a ter lugar na cidade nigeriana de Abuja, para se posicionarem sobre se apoiam ou não o governo que for instituído na Guiné-Bissau.
O Presidente guineense, José Mário Vaz, nomeou o general na reserva Umaro Embaló como primeiro-ministro, mas três dos cinco partidos com representação parlamentar recusam-se a integrar o governo que Embaló vai formar.
Acusam o chefe de Estado de ter furado o Acordo de Conacri ao nomear Embaló sem que este tenha merecido o consenso das partes signatárias do acordo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

TAP retoma voos para a Guiné Bissau

A TAP vai retomar os voos regulares para a Guiné-Bissau, a partir de quinta-feira, 1 de Dezembro, anunciou a companhia em comunicado de imprensa.

"A inclusão de Bissau na rede de destinos da TAP vem reforçar o posicionamento da companhia portuguesa no continente africano, onde dispõe de forte presença, e consolida a orientação da transportadora, que considera África um dos seus mercados estratégicos", sublinha.

Os voos vão realizar-se às quintas-feiras e sábados, no sentido Lisboa/Bissau, com partida às 21:50 e chegada às 2:00. No regresso, os voos partem de Bissau todas as sextas-feiras e domingos, pelas 2:50, chegando a Lisboa às 6:00. 

Com a abertura de voos para Bissau, a TAP passa a servir um total de 14 destinos em África.

sábado, 19 de novembro de 2016

Sissoco como primeiro-ministro da Guiné é "sinal da implantação de uma ditadura", afirma PAIGC

O PAIGC, vencedor das eleições gerais de 2014 na Guiné-Bissau, anunciou que está contra a decisão do Presidente do país em nomear Umaro Sissoco Embaló como primeiro-ministro, facto que encara como sinal da implantação de uma ditadura.

"O PAIGC convida a CEDEAO e toda a comunidade internacional a continuarem a acompanhar o povo guineense nesta luta pela defesa das conquistas democráticas e da liberdade, opondo-se frontalmente aos sinais evidentes de implantação da ditadura na Guiné-Bissau", lê-se no comunicado da Comissão Permanente do Bureau Político, assinado por Domingos Simões Pereira, presidente do partido.
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) "demarca-se desta decisão" do Presidente, José Mário Vaz, "responsabilizando-o por todas as consequências daí decorrentes e manifesta a sua firme e inabalável determinação em continuar a luta pela afirmação do Estado de direito democrático".
O Presidente da República deu hoje posse a Umaro Sissoco Embaló, 44 anos, general na reserva das Forças Armadas guineenses.
O nome era um dos três propostos por José Mário Vaz nas negociações do Acordo de Conacri, assinado em outubro pelos dirigentes guineenses para ultrapassar a crise política.
No entanto, segundo o PAIGC, Sissoco não foi o nome de consenso.
O partido apoiou o seu dirigente Augusto Olivais, outro nome que Vaz colocou em cima da mesa.
O PAIGC diz que esperava hoje o cumprimento "do consenso estabelecido em Conacri, o que não aconteceu", refere em comunicado, deixando implícito que Olivais teria sido a opção - apesar de o Partido da Renovação Social (PRS), segundo partido mais votado na Guiné, o negar.
Mediado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), o texto do Acordo de Conacri não esclareceu o nome escolhido o que tem permitido que haja diferentes versões sobre o que passou nas negociações.
A este propósito o PAIGC já tinha pedido esta semana à CEDEAO e comunidade internacional que seja revelado o respetivo relatório final para acabar com as dúvidas.
O partido entende que, ao dar posse a Sissoco, José Mário Vaz está a denunciar o Acordo de Conacri e assim a pôr em causa "de forma irresponsável todo o esforço e sacrifício consentidos pelos diferentes atores políticos e sociais do País, assim como da comunidade internacional, particularmente da CEDEAO".
O Presidente da República opta por "prosseguir com a crise, por ele criada e ininterruptamente sustentada", conclui o partido.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Persistem divergências entre principais partidos da Guiné-Bissau sobre nomeação do novo PM

Os principais partidos no Parlamento da Guiné-Bissau mantêm-se irredutíveis nas suas posições sobre a figura que deve ser escolhida pelo chefe de Estado guineense para o cargo de primeiro-ministro.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, auscultou hoje as cinco formações políticas representadas no Parlamento, mas, à saída, os dois mais votados, PAIGC e PRS, declaram-se irredutíveis naquilo que cada um defende.
O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas eleições legislativas, pela voz do seu primeiro vice-presidente, Carlos Correia, disse ter comunicado a José Mário Vaz que só aceita como primeiro-ministro o seu dirigente Augusto Olivais.
O partido fez notar que o nome de Olivais teria sido aquele que mereceu o consenso entre as partes desavindas e que se deslocaram em outubro à vizinha Guiné-Conacri onde o chefe de Estado, Alpha Condé, tentou mediar a crise guineense.
O Partido da Renovação Social (PRS), segunda maior força no Parlamento guineense, através do secretário-geral, Florentino Pereira, diz que de forma alguma poderá admitir o nome de Augusto Olivais para o cargo de primeiro-ministro.
O PRS observa que nunca houve qualquer consenso à volta daquele nome nos encontros tidos em Conacri, como diz o PAIGC.
O Partido da Convergência Democrática (PCD), a terceira força mais votada, entende que o Presidente guineense "apenas deve respeitar o acordo de Conacri", segundo o qual o primeiro-ministro deve ser nomeado por consenso dos partidos representados no Parlamento e deve merecer a confiança do chefe de Estado.
Para Vicente Fernandes, líder do PCD, Augusto Olivais "é a tal figura de consenso" por ter sido um elemento indicado pelo Presidente guineense e aceite pelo PAIGC enquanto partido vencedor das eleições.
Augusto Olivais faz parte de uma lista de três personalidades guineenses propostas por José Mário Vaz para que uma seja escolhida para primeiro-ministro.
As outras personalidades são Umaro Cissoko, general na reserva, e João Fadiá, diretor do Banco Central de Estados da África Ocidental (BCEAO) na Guiné-Bissau.
Nas audiências separadas de hoje, o Presidente guineense, José Mário Vaz, pediu a cada uma das entidades que lhe remetam, por escrito, a posição que defendem como proposta para a saída da crise política e, se possível, com o nome de candidato a primeiro-ministro.
Além dos partidos, José Mário Vaz recebeu a direção da Assembleia Nacional Popular, o parlamento guineense.
Inácio Correia, primeiro vice-presidente da ANP disse ter informado o chefe de Estado que não é da competência do hemiciclo indicar a figura para chefiar o Governo.
O primeiro-ministro do Governo em exercício, Baciro Djá, também devia ser auscultado pelo Presidente guineense, mas fontes da presidência indicaram que aquele não compareceu à audiência, nem justificou o motivo da ausência.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Bubo Na Tchuto regressa em ambiente festivo

O  chefe da Armada da Guiné-Bissau, contra-almirante Bubo Na Tchuto , foi libertado pelas autoridades dos Estados Unidos, onde se encontrava detido desde Março de 2013 por alegado envolvimento no narcotráfico. O militar guineense já se encontra de volta ao seu país, onde segundo o correspondente da RFI em Bissau, Mussá Baldé, foi acolhido festivamente pelos seus compatriotas.

Condenado  no  dia  4 de Outubro de 2013   a  uma pena  de prisão  de quatro anos, por  tentativa de tráfico de droga  para os Estados Unidos, José Américo Bubo Na Tchuto, cumpriu três anos  e  sete  meses. O contra -almirante  guineense  foi  detido em águas internacionais , no mês de  Março de 2013, por  agentes do DEA( Drug Enforcement Administration, serviço da polícia federal americana encarregado do combate ao tráfico de drogas), na companhia de três cúmplices. Dos  três,  Tchamy Yala  e Papis Djeme  foram   condenados respectivamente a cinco e seis anos e meio  de prisão. O terceiro  condenado  a  uma pena  de três anos, foi  posteriormente libertado e deportado para Portugal em virtude de ser cidadão do país  europeu.
Numa altura em que a  Guiné-Bissau  atravessa  um novo período de crise política, o regresso de Bubo Na  Tchuto  não deixa de suscitar interrogações no seu país.Contudo  22 de Outubro de 201, data do seu  regresso ao país  natal, foi um dia de celebração  para algumas centenas de compatriotas seus, como o confirma na sua crónica  de Bissau, Mussá Baldé. 

domingo, 16 de outubro de 2016

Augusto Olivais novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau?

A delegação de mais de 20 pessoas regressou à Guiné-Bissau vinda de Conacri, onde foi concluído ontem um acordo para um governo inclusivo. Tudo indica haver consenso em torno do quadro sénior do PAIGC, Augusto Olivais, para chefiar o novo executivo, devendo ser nomeado já para a semana, mas foi pedido sigilo quanto ao seu nome.

O acordo de Conacri não clarifica o ponto da divergência que é a figura para chefiar o futuro governo inclusivo da Guiné-Bissau. A RFI soube, junto a fontes negociais, que as partes desavindas fizeram varias cedências em relação à proposta de três nomes apresentada pelo mediador, Alpha Condé.
No PAIGC a escolha recaiu na figura do antigo Secretário Nacional do Partido, Augusto Olivais, deixando cair os nomes de João Aladje Fadia, Director Nacional do BCEAO e Umaro Cissoko, considerado braço direito do Presidente José Mário Vaz.
O PRS deixou a decisão para o Presidente da República. Perante estas posições, o acordo tentou aproximar as partes já que os nomes apresentados em Conacri foram sugeridos pelo Presidente Mário Vaz.
As expectativas são enormes, defende oRepresentante da Sociedade Civil, Padre Domingos da Fonseca que afirmou que com o regresso de Conacri "seremos mais tranquilos. Que este acordo se torne o pilar para garantir, de uma vez para sempre, a coesão e estabilidade nacional".
As negociações vão continuar. O Governo Inclusivo a constituir permanecerá até a realização das eleições legislativas e locais em 2018 como nos dá conta o nosso correspondente em serviço especial para a RFI, Aliu Candé.
 da Guiné-Bissau15/10/2016Ouvir
governo guineense assinou o ministro da presidência do conselho de ministros, assuntos parlamentares e porta-voz do governo Aristides Ocante da Silva que evoca os dois principais pontos do Acordo de Conacri; "o Presidente da República deve nomear um primeiro-ministro da sua confiança está no acordo, mas que seja objecto de um consenso entre as diferentes partes".
Ministro de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Aristides Ocante da Silva15/10/2016Ouvir
Por seu turno pela segunda força política guineense, o PRS, assinou Florentino Mendes Pereira, que sem indicar nomes ressalva que cabe ao Presidente indigitar o novo primeiro-ministro de sua confiança, mas com o consenso das partes; "ficou claro como nós sempre explicámos, no âmbito do primeiro acordo que assinámos, de que se vai nomear um novo primeiro-ministro e que deve ser da confiança do Presidente".
Secretário-geral do PRS, Florentino Mendes Pereira15/10/2016Ouvir
Em representação dos 15 deputados dissidentes do PAIGC que, segundo o acordo de Conacri, serão reintegrados no partido sem condições, mas em conformidade com os estatutos do partido, quem assinou foi Braima Camará que apela à manutenção do espírito de unidade que permitiu o acordo de Conacri; "se todas as partes assinantes manterem o espírito que norteou a assinatura deste acordo vai satisfazer não só os quinze, mas o próprio país".
Representante dos 15 deputados dissidentes do PAIGC, Braima Camará15/10/2016Ouvir
"Permitiu à Assembleia Nacional Popular defender a ordem constitucional e das leis da República o que também se reflecte no acordo que rubricámos. Penso que é importante dizer aos guineenses que este acordo irá permitir a designação de um novo primeiro-ministro já na próxima semana" , como refere o Presidente do Parlamento guineense Cipriano Cassamá um dos assinantes do Acordo de Conacri.
Presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá15/10/2016Ouvir
Pelo PAIGC o documento foi assinado pelo seu presidente Domingos Simões Pereira, mas Aliu Candé recolheu as declarações do seu secretário nacional Ali Hijazi, que evoca sigilo quanto ao nome do novo primeiro-ministro, mas admite que o PAIGC cedeu em nome do povo guineense. "É positivo porque quando saímos daqui (da Guiné-Bissau) não tínhamos nada em comum. Nós cedemos porque tínhamos de ceder", destacousecretário nacional do PAIGC, Ali Hijazi.
Secretário Nacional do PAIGC, Ali Hijazi15/10/2016Ouvir