sábado, 25 de Outubro de 2014

Na tomada de posse : PM adverte governadores regionais sobre responsabilidade do serviço público

Bissau - O Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, advertiu os governadores regionais que «servir o Estado é vestir uma camisola de serviço público».

Domingos Simões Pereira falava durante a cerimónia de tomada de posse dos novos responsáveis pelos Governos regionais, na presença do ministro da Administração Interna e de outros membros do seu Governo.

Na ocasião, o Chefe do Governo guineense sublinhou que cada acto de cada um dos governadores empossados pode representar a presença ou não do Estado, tendo chamado a atenção dos novos investidos no sentido de assumirem as posturas de quem vai dirigir uma região.

«Nos primeiros contactos que vão começar a ter, nas vossas primeiras conversas, assumam já a postura e responsabilidade de quem vai dirigir uma região, desde as vossas residências até aos vossos locais de trabalho, e pelos meios colocados à vossa disposição, cada um destes elementos é um símbolo da presença do Estado», disse Simões Pereira.

Por outro lado o Primeiro-ministro disse que o desenvolvimento da Guiné-Bissau tem que ser fomentado a partir do interior do país, referindo que os guineenses nos últimos anos têm tido uma lógica de desenvolvimento invertida.

«Nós temos tido uma lógica de desenvolvimento invertida, as nossas regiões de produção estão no interior e pretendemos que o desenvolvimento se irradie a partir de Bissau, mas o desenvolvimento tem que ser fomentado das nossas regiões e temos que conhecer os produtos estratégicos capazes de fazer crescer cada região», destacou.

O Chefe do Governo anunciou a execução de reuniões do Conselho de Ministros, chamando a atenção para que o país ainda não se encontra nos tempos dos anos passados, ou seja, nos anos 70, pelo que é necessário dotar as regiões de condições mínimas para que estas reuniões tenham lugar em cada uma das localidades escolhidas.

Simões Pereira revelou a iniciativa de elaboração de um plano regional de desenvolvimento, onde o documento em causa vai ser validado nestas reuniões do Conselho de Ministros.

Dotado de novo modelo de governação, Domingos Simões Pereira revelou que alguns membros vão trabalhar em colaboração com os Governadores.

Esta iniciativa foi explicada pelo Chefe do Governo, sendo que até às primeiras eleições Autárquicas não serão evidentes que todas as regiões possam cumprir as suas missões.

Entre os empossados contam-se Abu Sambu para a região de Bafatá, Humberto Augusto Co para a região de Biombo, Veríssimo Tambá para Bolama Bijagós, Rui Gonçalves Cardoso para a região de Cachéu, Mamadu Boi Djalo para a região de Gabu, Anita Djalo Sani para Oio, Binto Nanque Seidi para Quinara e Bacar Bodjan para a região de Tombali.

O Presidente da Câmara Municipal de Bissau não tomou posse por se encontrar fora do país.

«Ameaça séria à paz social» LGDH acusa polícia de crimes nas aldeias

Bissau - A Liga Guineense dos Direitos Humanos da Guiné-Bissau (LGDH) acusou a polícia de saquear e vandalizar as aldeias das populações do sector de Canchungo, norte da Guiné-Bissau, apropriando-se dos bens e objectos das vítimas.

Falando à Imprensa para tornar pública a posição da LGDH sobre os desmandos que a polícia e Guarda Nacional têm cometido na região de Cacheu, na recuperação de gados bovinos supostamente roubados, o vice-Presidente da organização, Augusto Mário da Silva, disse que a operação policial em algumas aldeias do sector de Canchungo constitui uma ameaça séria à paz social e à convivência pacífica no país.

«Temos denúncias de que essa força de segurança está a cometer maiores crimes do que estão a proteger. Porque, em vez de protegerem o património das pessoas, estão a saquear e vandalizar as aldeias apropriando-se dos bens e objectos das vítimas, isso é inaceitável no Estado de direito. A polícia está a pôr em causa a convivência pacífica entre os povos. Está a ameaçar a paz social» afirmou o responsável.

Augusto Mário da Silva exortou o Ministério Público a assumir «imediatamente» a direcção de todo este processo, e que seja substituída a Polícia de Ordem Pública e a Guarda Nacional pela PJ, que é uma unidade preparada para conduzir investigações de processos com elevado grau de complexidade.

Augusto da Silva afirmou ainda que a intervenção policial na zona norte da Guiné-Bissau é absolutamente «arbitrária», «populista» e que não tem o mínimo de enquadramento legal.

«Vejamos, a Guarda Nacional e a Polícia de protecção pública invadem as aldeias das pessoas pelas 4, 5 horas da manhã, contra tudo e todas as disposições legais que regulamentam a busca e revista domiciliária. Sem quaisquer critérios objectivos, começam a retirar os gados bovinos dos seus titulares» acusou, tendo afirmado que fazem esta operação sem nenhum mandato do Ministério Público que é detentor da acção penal, portanto a actuação da Guarda Nacional e da Polícia não passa de uma actuação «populista» que visa agradar um certo sector desta sociedade, e a LGDH nunca compactuará com este tipo de actuação.

Augusto Mário da Silva considera ainda «infelizes e falaciosas» as declarações do porta-voz de Ministério de Administração Interna, Samuel Fernandes, segundo as quais estão a requerer a prisão preventiva dos suspeitos detidos, tendo afirmado que a LGDH está na posse dos elementos concretos que indicam que a Guarda Nacional não tem nenhum mandato do Ministério Público para o efeito de buscas domiciliárias.

«Ouvimos o porta-voz dizer que já estão a requerer a prisão preventiva dos suspeitos detidos há mais de uma semana, e que não encaminharam o caso ao Ministério Público, e agora vêm dizer que já estão a requerer a prisão preventiva, estamos a brincar com a investigação» disse, questionando onde é que está o fundamento legal da Polícia ou da Guarda Nacional em requerer a prisão preventiva.

«Quem requer a prisão preventiva é o Ministério Público e, se está à margem deste processo todo como é que o porta-voz vem dizer que já estão a requerer a prisão preventiva, se os detidos ainda nem foram apresentados à instituição», disse Augusto da Silva.

O responsável da LGDH lembrou ainda que foram uma das primeiras organizações, ao lado da Voz de Paz, a denunciar a situação de roubo de gado na região de Cacheu, inclusive esta questão mereceu uma maior atenção no relatório sobre os 40 anos da impunidade, que a sua organização publicou, tendo desafiado que não estão para proteger quem quer que seja, a LGDH está sim para defender a dignidade humana.

O destacamento da Polícia de Ordem Pública apoiado pela Brigada da Guarda Nacional está a levar a cabo uma operação de busca de gado bovino supostamente roubado, que resultou na apreensão de 72 cabeças de gado.

Segundo as informações, foram roubados no espaço de um mês, no sector de Canchungo, mais de 90 cabeças de gado bovino.

Parlamento, Governo e UNODC reunidos sobre tráfico de droga

Bissau - O Parlamento, o Governo da Guiné-Bissau e o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC, sigla em inglês) vão manter uma reunião de alto nível entre 24 e 27 de Outubro, em Bissau, para debater a luta contra o tráfico de droga e o crime organizado.

A pedido das autoridades nacionais, o UNODC enviou uma equipa liderada pelo seu Representante Regional, composta por especialistas em diferentes áreas temáticas, para realizar um trabalho conjunto com os parceiros nacionais.

Na reunião, que vai decorrer no Parlamento, serão debatidas, entre outras questões, as ameaças do crime organizado, o papel do Parlamento e do Governo no combate ao crime organizado e o reforço do Estado de Direito.

Na cerimónia inaugural discursam o Presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá, o Representante Regional do UNODC, Pierre Lapaque, e o Representante Especial Adjunto do Secretário-Geral da ONU para a Guiné-Bissau, Marco Carmignani.

A abertura do encontro de alto nível, a 24 de Outubro, é também uma oportunidade para comemorar o Dia das Nações Unidas.

Parlamento, Governo e UNODC reunidos sobre tráfico de droga

Bissau - O Parlamento, o Governo da Guiné-Bissau e o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC, sigla em inglês) vão manter uma reunião de alto nível entre 24 e 27 de Outubro, em Bissau, para debater a luta contra o tráfico de droga e o crime organizado.

A pedido das autoridades nacionais, o UNODC enviou uma equipa liderada pelo seu Representante Regional, composta por especialistas em diferentes áreas temáticas, para realizar um trabalho conjunto com os parceiros nacionais.

Na reunião, que vai decorrer no Parlamento, serão debatidas, entre outras questões, as ameaças do crime organizado, o papel do Parlamento e do Governo no combate ao crime organizado e o reforço do Estado de Direito.

Na cerimónia inaugural discursam o Presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá, o Representante Regional do UNODC, Pierre Lapaque, e o Representante Especial Adjunto do Secretário-Geral da ONU para a Guiné-Bissau, Marco Carmignani.

A abertura do encontro de alto nível, a 24 de Outubro, é também uma oportunidade para comemorar o Dia das Nações Unidas.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Ébola pode custar mais de 32 mil milhões de dólares à África Ocidental

Ébola pode custar mais de 32 mil milhões de dólares à África Ocidental

O surto de ébola na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri pode custar mais de 32 mil milhões de dólares e tirar 3,3% ao PIB da África Ocidental se a epidemia não for rapidamente controlada, segundo a Moody's.

"Os custos humanos e económicos no combate à trágica doença já fazem antever uma legado longo e negativo no futuro do crescimento económico da África Ocidental", sublinhou a Moody's

De acordo com uma nota aos investidores, a que a Lusa teve hoje acesso, a agência de notação financeira norte-americana considerou que "a África Ocidental como um todo pode perder até 32,6 mil milhões de dólares [25,5 milhões de euros] no final de 2015 se a epidemia não for rapidamente controlada, num cenário que prevê a contaminação aos países vizinhos".

Para a Moody's, que citou o relatório do Banco Mundial sobre este tema, "isto significa que o PIB combinado de todos os países da África Ocidental - incluindo, entre outros, as muito maiores economias da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Senegal - seria 3,3% menor do que se não houvesse efeitos relacionados com o ébola nas suas fronteiras, no que diz respeito ao comércio, turismo e confiança dos consumidores e empresas".

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ébola já infectou 9.216 pessoas, tendo resultado em 4.555 mortes, principalmente na Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria, prevendo que o contágio possa chegar às 10 mil pessoas por semana na África Ocidental, em Dezembro.

"Os custos humanos e económicos no combate à trágica doença já fazem antever uma legado longo e negativo no futuro do crescimento económico da África Ocidental, uma vez que as medidas de poupança obrigam à suspensão dos projectos de educação e desenvolvimento", sublinhou a Moody's.

A agência exemplificou com as declarações do ministro das Finanças da Serra Leoa em Washington, na semana passada, segundo as quais o país "não tinha outra escolha" senão suspender alguns projectos e reduzir o orçamento da maioria dos ministérios em 23% para acomodar o crescimento previsto do défice em 2015.

Os três países mais afectados pelo ébola sofrem mais do que o resto da região, escreveu a Moody's, especificando que no cenário de contenção rápida, o Banco Mundial estimou que o surto custe 163 milhões de dólares (3,3% do PIB) à Serra Leoa este ano, mas o efeito negativo pode chegar aos 8,9% do PIB no próximo ano se o cenário usado for o da contenção lenta da doença.

Na Libéria, o Banco Mundial referiu que no pior cenário as estimativas de perda chegam aos 234 milhões de dólares (12%) do PIB, e 142 milhões na Guiné-Conacri (2,3% do PIB) como resultado do aumento das despesas de Saúde e descida na produtividade, resultante do fecho de aeroportos e estradas e no abandono dos campos pelos agricultores.

Os países da África Ocidental são Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

FESTin recebe filmes lusófonos até 15 de Dezembro

De 8 a 15 de Abril de 2015, o Cinema São Jorge será novamente a casa do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, reunindo dezenas de filmes oriundos dos países da CPLP, que recentemente passou a integrar nove nações: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste


FESTin recebe filmes lusófonos até 15 de Dezembro
Os filmes concorrentes às secções competitivas deverão ser exclusivamente de expressão portuguesa e ter sido finalizados entre Janeiro de 2013 e Novembro de 2014, com a duração mínima de 70 minutos no caso das longas-metragens e a duração máxima de 25 minutos no caso das curtas-metragens.

No ano em que serão já precisas duas mãos para contar as etapas desta aventura à descoberta do cinema falado em português, o FESTin foca a sua atenção no Sudeste Asiático e homenageia um dos mais recentes países do mundo: Timor-Leste.

Além das três secções de competição (de longas e curtas-metragens de ficção; e documentários), o festival voltará a integrar as Mostras de Cinema Brasileiro, Inclusão Social, Infanto-Juvenil, País Convidado, bem como mostras especiais a anunciar.

O FESTin é uma co-produção Padrão Actual e EGEAC – Cinema São Jorge. Ao longo de cinco edições foram exibidas cerca 340 produções em língua portuguesa. Na 5ª edição do festival, em Abril de 2014, foram apresentados 76 filmes, que alcançaram mais de 7000 espectadores, um aumento de 30% de procura do público em relação a 2013.

O regulamento pode ser consultado aqui: http://festin-festival.com/regulamento-2015-2/

Secretário de Estado das Comunidades denuncia má conduta na Embaixada em Lisboa

Bissau - O secretário de Estado da Cooperação Internacional e das Comunidades denunciou que algumas pessoas ligadas à Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal recebem dinheiro para a marcação de consultas.

Falando à margem do encerramento da conferência sobre saúde no país, Idelfrides Fernandes afirmou que ninguém deve viver à conta da saúde das pessoas.

«Não podemos viver à sombra da saúde das pessoas. Receber 100 ou 200 euros para marcar as consultas é grave, não podemos admitir que isso volte a acontecer. Seja quem for», desafiou o responsável, afirmando que durante a sua estadia em Lisboa recebeu muitas queixas por parte dos pacientes guineenses.

Idelfrides Fernandes afirmou que é preciso apurar responsabilidades.

Foi neste sentido que o Chefe do Governo guineense, Domingos Simões Pereira, afirmou que é preciso criar um contrato social para os quadros de saúde, por forma a escolher «os bons» e dar-lhes prioridade.

«Nós precisamos de um novo contrato social e é importante que os profissionais de saúde se mobilizem para estar do lado só deste contrato. Se formos capazes de estabelecer um compromisso, todos vamos trabalhar no sentido de que esse contrato social possa resultar nos objectivos que estão preconizados» disse o Chefe de Governo guineense.

«Não podemos ser bons só quando atravessamos a fronteira. Se isso acontece é porque algo está mal. Então, vamos trabalhar juntos, vamos ultrapassar preconceitos, vamos ser capazes de admitir onde há falhas, vamos ser capazes de escolher os bons e priorizar esses bons» desafiou Domingos Simões Pereira.

Governo pede esclarecimentos sobre adiamento da retoma da rota da TAP

Bissau - O Governo guineense pediu esclarecimentos a Lisboa sobre o adiamento da retoma dos voos da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP), que estava prevista para 28 de Outubro.

A posição foi expressa num comunicado do Conselho de Ministros,  datado de 16 de Outubro.

Segundo a nota, o Governo esclarece que não recebeu até ao momento qualquer comunicação formal de Lisboa sobre a decisão da TAP e instrui o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Lopes da Rosa, a encetar contactos com as autoridades portugueses no sentido de se inteirar das circunstâncias que levaram ao sucedido.

Importa destacar que a TAP decidiu adiar a retoma dos voos para o país, prevista para 28 de Outubro, alegando «questões operacionais ligadas à empresa», para mais 45 dias, ou seja, até Dezembro, facto que não agradou as autoridades guineenses, que pedem o esclarecimento por parte das autoridades portuguesas.

A TAP suspendeu os seus voos para a Guiné-Bissau em Dezembro, na sequência do embarque forçado pelas autoridades guineenses de 74 cidadãos sírios no aeroporto de Bissau, rumo a Lisboa.

Portugal e a Guiné-Bissau assinaram em Julho um acordo para retomar as ligações aéreas entre Lisboa e Bissau. O acordo foi assinado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, e pelo seu homólogo da Guiné-Bissau, Mário Lopes da Rosa, em Lisboa, na presença dos Primeiros-ministros dos dois países, Pedro Passos Coelho e Domingos Simões Pereira, respectivamente.

Nomeados governadores para as oito regiões do país

guinea-bissau-mapaBissau - O Governo da Guiné-Bissau nomeou em Conselho de Ministros o compositor Adriano Ferreira «Atchutchi» como novo Presidente da Câmara Municipal de Bissau.

Adriano Ferreira substitui no cargo António Artur Sanhá, que assumiu essas funções depois do golpe militar que depôs, na altura, o Governo liderado por Carlos Gomes Júnior.

Foram ainda nomeados, na mesma sessão de 16 de Outubro, os governadores das oito regiões que compõem a república da Guiné-Bissau, nomeadamente, Cacheu, Biombo, Oio, Gabu, Bafata, Quinara, Tombali e Bolama–Bijagos, quadro em que figuram duas mulheres.

Para a região de Cacheu foi indicado o actual Administrador do Sector de São Domingos, Rui Gonçalves Cardoso, Veríssimo Tamba, governador de região de Bolama-Bijagos, Umberto Co, governador da Região de Biombo, Mamadu Boe Djalo governador de Gabu, Anita Djalo Sane, governadora da região de Oio, Binto Nanque governadora de região de Quinara e Bacar Bodjam como governador de Tambali.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Jovens angariam fundos para reconstruir escola que acolhia 120 crianças

As crianças do bairro Bandim Bilá, em Bissau, poderão voltar a ter aulas graças a um grupo de jovens guineenses que pretende angariar três milhões de francos CFA (4.500 euros) para recuperar uma escola danificada.

A escola de Bandim Bilá deixou de ser utilizada há quatro anos por se encontrar em avançado estado de conservação e o local serve agora de lixeira do bairro, situação que o Movimento Luz Ku Yagu (Luz e Água) quer reverter.

O espaço albergava mais de 120 crianças de Bandim Bilá.

Lucete Injami, de 16 anos e Ailton Viriato, de 17, são membros do Movimento Luz e Água, uma organização de jovens guineenses que reclama do Governo "realizações concretas", a começar pelo fornecimento regular de energia elétrica e água potável.

Lucete e Ailton são os porta-vozes da revolta juvenil com a situação da escola.

Defendem que o Estado guineense, por não ser capaz de atender às demandas da população, devia passar ao povo algumas das suas responsabilidades naquilo que chamam de "democracia direta".

Lucete Injami dá o exemplo da "ausência do Estado" na resolução do problema da escola do bairro de Bandim Bilá.

Ailton Viriato conta que a arrecadação de fundos "já está a andar", notando que em pouco mais de dois meses de campanha a associação já conseguiu juntar mais de um milhão de francos CFA (1500 euros) através de pessoas que gostaram da ideia.

"Mas são pessoas que estão fora da Guiné-Bissau. Estão em Portugal, Itália e no Brasil", notou Lucete Injami, explicando que ficaram sensibilizadas com a iniciativa que viram num sítio na internet criado para divulgar a campanha de recolha de fundos.

Os jovens do Movimento Luz e Água dizem-se tristes com a realidade das crianças do bairro de Bandim Bilá com muitas a ficarem em casa, sem puderem ir à escola, e com outras a terem que andar mais de dois quilómetros todos os dias para ter aulas.

Crianças até aos seis anos a andarem nas ruas de Bissau correm "um risco enorme" de se perderem ou de serem atropeladas, observou Ailton Viriato.

Lucente Injami frisou que a "principal preocupação" dos adultos devia ser a recuperação da escola, pelas consequências que a falta de aulas trará para as crianças e toda a população do bairro.

"Uma mão que pegue num livro, não terá como pegar numa arma", concluiu.

Estratégia de desenvolvimento da Guiné-Bissau vai centrar-se na biodiversidade -- PM

Bissau, 19 out (Lusa) - O governo da Guiné-Bissau vai colocar a biodiversidade no centro da estratégia de desenvolvimento do país que vai propor à população e parceiros internacionais nos próximos meses, anunciou o primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira.

"A Guiné-Bissau tem coisas únicas que até hoje não estão a ser exploradas", referiu, a propósito das parcelas de território classificadas como património natural.

A ideia foi anunciada na noite de sábado num encontro com autoridades nacionais e com a comunidade internacional, em Bissau, após um retiro dos membros do governo para análise dos primeiros 100 dias de trabalho do executivo.

domingo, 19 de Outubro de 2014

Ébola: Portugal vai ajudar a Guiné-Bissau

Portugal deverá montar uma base de retaguarda para prevenção e combate ao vírus Ébola no Hospital Militar de Bissau, anunciou hoje a ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Valentina Mendes.


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«Portugal vai criar uma base no Hospital Militar: lá é que vão ser instalados os equipamentos e o pessoal que vem [para Bissau]», explicou a governante.

Valentina Mendes falava após encontros mantidos na sexta-feira e hoje com o Diretor-Geral de Saúde de Portugal, Francisco George, e Paulo Campos, presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) português, que se encontram na capital guineense.

A base portuguesa deverá complementar um centro de tratamento e isolamento para casos de Ébola que o governo de Bissau quer implantar no Hospital Simão Mendes, principal hospital público do país, mas também um dos mais degradados.

De acordo com Valentina Mendes, o executivo vai redigir uma carta-pedido endereçada ao Governo português, detalhando a cooperação desejada e entretanto esboçada com Francisco George e Paulo Campos.

No documento «estará todo o pacote», referiu a ministra, desde equipamentos em falta, necessidades de treino e outros recursos, como por exemplo, um laboratório.

A carta será entregue em mão pela própria governante ao Governo português durante uma deslocação que vai efetuar a Portugal, ao lado do primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, antes do final do mês.

A governante espera que em novembro seja possível receber as primeiras equipas médicas portuguesas em Bissau.

Apesar de se chamar Hospital Militar, 98% dos casos tratados são de civis, mediante o pagamento de uma taxa moderadora de cerca de três euros.

Construído em 2011 através da cooperação chinesa na Guiné-Bissau, a unidade tem das melhores instalações e serviços do país, ainda assim, extremamente carentes: conta apenas com dois especialistas, um cirurgião e um obstetra, o que limita a utilização de equipamentos de diagnóstico.

Tendo em conta o contexto, e consoante evoluir a ameaça do Ébola, as equipas médicas portuguesas poderão envolver-se na promoção de outros cuidados de saúde, admitiram os participantes.
Francisco George e Paulo Campos visitaram o Hospital Militar hoje de manhã.

Para o presidente do INEM, há um interesse particular em unir a função hospitalar à tutela militar, dada a necessidade de proteger instalações que lidem com o vírus Ébola - que já foram atacadas noutros países afetados pela epidemia.

Por outro lado, «é uma estrutura organizada» e «talvez o melhor polo de saúde na Guiné-Bissau».

No entanto, «não vamos colocar a tónica só neste hospital. Este pode ser um pilar importante, mas temos que explorar todos os pilares da cooperação na área da saúde», disse.

Augusto Mendes, diretor clínico da unidade, disse à Lusa que o mais urgente é «treinar os técnicos e pessoal médico, não só na parte teórica, mas também sobre a maneira de usar os kits de proteção» contra o Ébola.

Apesar de os dois países com que faz fronteira já terem sido afetados pelo vírus Ébola, a Guiné-Bissau continua livre da ameaça mortal.

A norte, no Senegal, já foi verificado um caso importado, entretanto curado, e a sul, na Guiné-Conacri (onde a epidemia eclodiu), o Ébola continua a matar.

Desde meados de agosto que a Guiné-Bissau fechou as fronteiras com Conacri, apesar das queixas de comerciantes e da população fronteiriça, para prevenir a entrada de pessoas infetadas - apesar de haver relatos de travessias em zonas não vigiadas pelas autoridades.

Segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Ébola causou mais de 4.500 mortos em cerca de 9 mil casos registados na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, os mais afetados, mas também Nigéria, Senegal, Espanha e Estados Unidos.

Presidente nomeia novos colaboradores

O chefe de Estado guineense, José Mário Vaz (foto ASF)


O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, nomeou esta sexta-feira mais de dez colaboradores, entre conselheiros e assessores.

A ex-ministra dos Negócios Estrangeiros, Adiantu Nandigna, foi nomeada conselheira político-diplomática.

José Mário Vaz escolheu também novos conselheiros especiais: o empresário Braima Camará; o antigo chefe da diplomacia guineense Iaia Djaló; o ex- ministro da Comunicação Social Fernando Mendonça, que será também porta-voz da Presidência e o antigo reitor da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau Tcherno Djaló.

O chefe de Estado chamou ainda o ex-ministro do Interior, Dionisio Kaby, para assumir funções como conselheiro nas áreas de infraestruturas e equipamento social e António Cabral Avelino como conselheiro para os assuntos da Defesa.

Indira Cabral, filha de Amílcar Cabra, será assessora do Presidente para assuntos dos Direitos Humanos e Género; Policarpo Cabral D’Almada para a Administração Territorial e Adulai Djamanca para assessor do Poder Local.

Por último, Dito Max foi nomeado assessor para a Juventude e César Fernandes foi escolhido para o cargo de secretário-geral da presidência.