segunda-feira, 10 de maio de 2010

CEDEAO em destaque nos semanários


Bissau – A visita da delegação militar da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), dominou a semana passada as primeiras páginas da maioria dos jornais guineenses.

A presença no país de uma delegação militar da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) dominou a semana passada as primeiras páginas da maioria dos jornais guineenses. «Delegação da CEDEAO em missão de investigação» foi o título do Diário Bissau, para adiantar, de seguida, que uma delegação de três chefes militares de países da África Ocidental chegou ao país no dia 4 de Maio, no quadro de uma missão de inquérito sobre o incidente ocorrido a 1 de Abril no exército e que culminou com a detenção do primeiro-ministro e do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas.

No No Pintcha lia-se «para acabar com o manto negro nos quartéis, vice-chefe de Estado-Maior pede apoio da CEDEAO». Segundo o semanário estatal, que ilustra a notícia com uma foto da delegação em visita juntamente com António Indjai, este apelou à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental no sentido de prestarem ajuda à classe castrense, para a implementação da reforma no sector da Defesa. Sobre o mesmo assunto, o Gazeta de Notícias avançou em título: «Missão de inquérito sobre incidente de 1 de Abril, chefes militares da África Ocidental em Bissau». A delegação, chefiada pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas liberianas, integrava os seus homólogos de Cabo-verde e do Gana, recorda o Gazeta de Notícias.

O mesmo Gazeta de Noticias destacou ainda na capa que os EUA consideram ilegal a detenção do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Almirante José Zamora Induta. «Reafirmando a determinação dos EUA em apoiar as reformas no sector de Defesa e Segurança em curso na Guiné-Bissau, David Mosby, conselheiro político da embaixada norte americana em Dacar, no Senegal, mas que cobre a Guiné-Bissau, disse que o seu Governo denota que há uma falta de controlo do poder civil sobre as Forças Armadas», salientou o jornal.

Ainda sobre a conferência de imprensa das autoridades norte-americanas, nos termos de uma visita da embaixadora ao país, o Diário Bissau preferiu abordar outro ângulo. A embaixadora dos EUA, Márcia Bernicat, disse que a inclusão de dois oficiais superiores da Guiné-Bissau na lista norte-americana contra o narcotráfico foi feita depois de vários anos de investigação. «Aquela designação foi o resultado de investigações de vários anos e, com base naquelas averiguações, outras pessoas e empresas (da sub-região) vão ser incluídas naquela lista», afirmou a diplomata norte-americana.

O Última Hora lançou para manchete «Justiça oculta. Ministério Publico ou Mistério Publico?» Uma interrogação cujo desenvolvimento se seguia e, citando: «É um dado assente que o interesse principal que deve mover o Estado e a formação de uma sociedade justa, livre e solidária, tem como aspiração o interesse público. Todo o poder público e todas as pessoas devem estar vinculados à ordem jurídica constituída. Por isso é que o Estado de Direito, na expressão feliz de Norberto Bobbio, não é mais do que o estado dos cidadãos. Ali onde todos revestem». O Última Hora adianta ainda, a propósito, que o Ministério Público tem a função institucional de promover o restabelecimento da ordem jurídica violada, fazendo o uso dos poderes que a lei lhe confere. Só não é assim, se o Ministério Público não tiver os poderes necessários nem os meios adequados para o fazer. Em regra, adianta o jornal, na investigação criminal, o Ministério Público tem poderes legais suficientes, faltando, por vezes os meios certos para os fins visados. Mas como fazer para contornar uma onda de crimes cometidos há um ano no país sem solução à vista? «O que é que está a fazer?» Interroga o Última Hora.

Ainda o mesmo semanário publica a entrevista do deputado do PAIGC, Manuel Nascimento Lopes («Manelinho»), na qual responsabiliza Portugal pelas crises na Guiné-Bissau. De acordo com este parlamentar, a Guiné-Bissau é um país soberano que não se pode dar ao luxo de permitir serem-lhe impostos certos valores e imposições que contrariam os seus interesses. «Querem desestabilizar-nos e desunir. Nunca vamos admitir! Este país é soberano», disse, acrescentando que muitas vezes tem ouvido a intervenção de muitos políticos portugueses que colocam em cheque a imagem da Guiné-Bissau.

Voltando ao No Pintcha, o jornal recorreu ao boletim do UNIOGBIS, que publicou uma entrevista ao representante do Secretário-geral da ONU em Bissau, Joseph Mutaboba, em que afirma «devemos resolver o problema da impunidade e proteger os mais fracos». Mutaboba falava sobre os acontecimentos de 1 de Abril, levados a cabo pelos militares que detiveram durante algum tempo o primeiro-ministro, prenderam o Chefe de Estado-maior e invadiram as instalações das Nações Unidas, em Bissau.

Lassana Cassama

(c) PNN Portuguese News Network

Sem comentários:

Enviar um comentário